Fé, tradição e ancestralidade marcam a 20ª Festa de Iemanjá em Guarujá
- Guaruja milgrau
- 5 de fev.
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Fé, tradição e ancestralidade conduziram a 20ª edição da Festa de Iemanjá, realizada neste domingo (1º), em Guarujá. A celebração reuniu cerca de 10 mil pessoas ao longo da programação, com a participação de 18 ilês, em um encontro marcado pela devoção, pelo respeito às tradições de matriz africana e pela emoção de milhares de fiéis que levaram à Rainha do Mar suas oferendas, em gestos de gratidão, pedidos e renovação da fé.
Promovida pela Prefeitura de Guarujá, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), a festa valorizou a cultura afro-brasileira, com o fortalecimento das casas de axé da Cidade e com a preservação de uma tradição que atravessa gerações. Durante a programação, cânticos, toques de atabaque, danças e rituais deram o tom da celebração, reunindo famílias, comunidades de terreiros e turistas em um grande momento de espiritualidade e pertencimento.
Para o secretário municipal de Cultura, a Festa de Iemanjá representa um marco para a história e para a memória do povo de santo de Guarujá.
“Nós temos aproximadamente 60 ilês no Município. É uma população grande que celebra, por meio da Festa de Iemanjá, a sua própria história. É também um momento em que a Administração Municipal direciona a atenção para essa população, trazendo uma festa totalmente voltada ao povo de santo, com toda estrutura custeada pelo Município, oferecendo dignidade, fortalecendo esse elo e fazendo com que esse povo se sinta realmente prestigiado”, destacou.
O secretário acrescentou que a valorização da tradição também é um compromisso permanente da gestão com a memória e a identidade cultural da Cidade. “Celebrar a tradição é resgatar a história, a oralidade e mostrar às novas gerações a importância de se ter memória, como na exposição em homenagem a Mãe Catita, que representa um dos nomes mais antigos e simbólicos do povo de axé de Guarujá. Estamos fazendo esse resgate diário da história da nossa Cidade, o que é muito importante”, completou.
Exposição homenageia Mãe Catita e fortalece a memória do povo de axé
Antes da saída da procissão, no saguão do Teatro Procópio Ferreira, durante a concentração, o público pôde visitar a exposição em homenagem a Mãe Catita, uma das mais importantes referências do povo de terreiro de Guarujá e personagem fundamental na construção da Festa de Iemanjá no Município. A homenagem emocionou familiares, integrantes de casas de axé e visitantes, ao resgatar a trajetória de uma mulher que dedicou sua vida à espiritualidade, ao cuidado com o outro e à preservação das tradições.
Filha de Mãe Catita e herdeira do Barracão Sete Pedras Brancas, Dona Iracema Leite Santana destacou a importância do reconhecimento e da memória.
“Para o nosso terreiro e para a comunidade que conheceu minha mãe, é uma satisfação muito grande. A gente fica muito feliz e honrada em relembrar tudo o que ela fez por Guarujá, tanto na cultura quanto na própria Festa de Iemanjá, da qual foi uma das lideranças. A gente fica muito contente. E a mensagem que eu deixo é o respeito. Que as pessoas respeitem a nossa religião”, afirmou
Neta de Mãe Catita e segunda herdeira do barracão, Mayra Leite Santana ressaltou que a exposição e a celebração representam um momento de profunda emoção para toda a família e para a comunidade de axé. “Hoje é um dia de recordar. Mãe Catita foi um nome muito forte, pelas festas de Iemanjá, pela caridade, pelos benzimentos e por manter a casa de axé aberta até hoje. É um sentimento de gratidão e de amor muito grande”, declarou.
Mayra também relembrou a trajetória de Mãe Catita no Município. Ela chegou a Guarujá por volta de 1939 e, após anos de atuação espiritual, fundou o barracão em 1956. Antes disso, já atendia, benzia e acolhia pessoas de forma mais reservada. A partir da fundação da casa, passou a abrir ainda mais as portas para a comunidade, formando filhos de santo e mantendo viva a tradição. Mãe Catita faleceu aos 100 anos, deixando um legado que segue presente na fé e na história da Cidade.
“A religião de matriz africana é linda. O axé é lindo. Mas é preciso que as pessoas trabalhem mais o respeito à ancestralidade e aos mais velhos. A modernidade é importante, mas a nossa religião é voltada para a ancestralidade. É preciso resgatar isso e ter mais respeito”, completou.




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