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SUPOSTO CORRETOR DESAPARECE APÓS RECEBER DEZENAS DE ENTRADAS DE ATÉ R$ 25 MIL EM GUARUJÁ

  • Foto do escritor: Guaruja milgrau
    Guaruja milgrau
  • há 6 horas
  • 3 min de leitura

Dezenas de famílias de Guarujá, no litoral de São Paulo, passaram a noite de sexta-feira (13) na Delegacia Sede de Guarujá para denunciar um golpe de um suposto corretor envolvendo a venda irregular de apartamentos na comunidade do Cantagalo. O caso foi registrado como estelionato.


Segundo os relatos, um homem identificado como Ricardo Correia da Silva se apresentava como corretor de imóveis e prometia unidades habitacionais supostamente vinculadas à Prefeitura de Guarujá e à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Ele alegava que os imóveis seriam de pessoas contempladas que teriam desistido da posse e, por isso, poderiam ser revendidos.


As vítimas afirmam que pagaram valores de entrada entre R$ 14 mil e R$ 25 mil, com promessa de entrega das chaves em prazos que variavam de 60 a 95 dias. Após os pagamentos, no entanto, a entrega teria sido sucessivamente adiada até que o suspeito deixasse de atender ligações e mensagens.


A confeiteira Bruna Vitória Donato de Almeida, de 25 anos, foi uma das primeiras a registrar boletim de ocorrência. Segundo o documento, ela afirma ter transferido R$ 15 mil via Pix após negociar, em 15 de outubro de 2025, a compra de um apartamento por R$ 70 mil.


“Ele dizia que o imóvel era de alguém contemplado que não quis ficar. Prometeu entregar a chave em 60 dias”, relatou.


Passado o prazo inicial, vieram novas justificativas, como festas de fim de ano, atrasos internos e até a suposta dependência de um funcionário da Prefeitura para a liberação das chaves. Em janeiro, segundo Bruna, o suspeito teria convocado os compradores para irem até a Prefeitura, onde apresentaria o responsável pela entrega. Ele, porém, não apareceu.

“Ficamos esperando e ele simplesmente sumiu. Parou de atender, desligou o telefone. Agora estamos todos no prejuízo”, disse.

Bruna afirma que chegou a ir ao cartório em Guarujá para reconhecer firma do contrato, mas o suposto corretor não teria apresentado documentação que comprovasse propriedade ou autorização de venda.

O caso foi registrado na Delegacia Eletrônica e encaminhado à unidade responsável pela área. A vítima pediu o rastreamento das contas que receberam os valores e o bloqueio de eventuais recursos ainda disponíveis.


“Presente de casamento” virou prejuízo

Outras vítimas também registraram ocorrência. Sônia de Souza e Yasmin de Souza relataram que o apartamento seria um presente de casamento. “Pagamos R$ 15 mil de entrada e ainda uma parcela. No total, R$ 16 mil de prejuízo”, disseram.

Paulo Demetrio contou que negociou um imóvel por R$ 65 mil e também fez Pix de R$ 15 mil. “Ele falava que tinha gente na Prefeitura, que estava tudo certo. A gente acreditou”.

Já Gisele da Silva Nascimento afirma ter vendido a casa na Bahia para investir em um apartamento em Guarujá. “Paguei R$ 25 mil. Ele disse que tinha 95 dias para entregar. Já tem mais de um ano e nada. Sou desempregada, com guarda de gêmeos. Ele fez mais de 40 vítimas”.

Segundo os relatos, o homem era conhecido na região e teria atuado como síndico de condomínio, o que teria ajudado a ganhar a confiança das famílias.

O que dizem Prefeitura e CDHU

Em nota, a Prefeitura de Guarujá informou que técnicos da Secretaria Municipal de Habitação se reuniram com as vítimas na quinta (12) e sexta-feira (13). O município orientou que os prejudicados formalizem denúncia única na delegacia e destacou que é proibida a comercialização de unidades habitacionais subsidiadas com recursos públicos dentro de prazos que variam de dois a dez anos após a entrega das chaves.

A administração municipal também alertou que qualquer tentativa de venda irregular pode resultar na retomada do imóvel pelo poder público.


A CDHU reforçou que não solicita pagamento antecipado, taxa de reserva ou valor de entrada para financiamento. Segundo a companhia, todo o processo é gratuito, realizado por sorteio público eletrônico ou indicação técnica das prefeituras, sem participação de intermediários ou corretores.


As inscrições ocorrem apenas em períodos determinados, com editais amplamente divulgados no site oficial e na imprensa. Qualquer cobrança em nome da CDHU, destacou o órgão, é crime e deve ser denunciada à polícia.


A CDHU orienta que os cidadãos utilizem apenas os canais oficiais para informações, como o portal e o telefone Alô CDHU (0800 000 2348), evitando fornecer dados ou pagamentos a pessoas estranhas.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) não se manifestou até a publicação desta reportagem. A defesa de Ricardo Correia da Silva não foi localizada. O espaço segue aberto.


Fone: SantaPortal


 
 
 

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