Guarujá inaugura pátio naturalizado no CRAS integrado à Escola João de Oliveira
- Guaruja milgrau
- há 5 horas
- 3 min de leitura
O fim da tarde da última sexta-feira (20), no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS Morrinhos), foi diferente. Às 16 horas, o espaço que antes era inutilizado ganhou vida, cor e significado com a inauguração do pátio naturalizado — e, junto com ele, o olhar curioso e encantado de crianças que, pela primeira vez, descobriram aquele novo mundo.
O espaço, implantado com apoio técnico da Urban95, do Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP) e do Coletivo Taboa, passa a ser compartilhado com a Escola Municipal João de Oliveira, fortalecendo a integração entre assistência social e educação e criando novas possibilidades de aprendizagem ao ar livre.
O evento reuniu o prefeito municipal, o vice-prefeito, o secretário de Desenvolvimento e Assistência Social e o secretário de Educação, além da primeira-dama, secretários, diretores, servidores, educadores, equipes envolvidas na construção do pátio, usuários do CRAS, famílias e crianças.
Para o prefeito municipal, a iniciativa representa um investimento direto no futuro das crianças. “Podemos buscar essas referências, dar para essas crianças a oportunidade de se desenvolverem de uma forma muito mais saudável”, destacou.
Uma das turmas de alunos da escola ainda não conhecia o espaço, e os presentes puderam acompanhar, de perto, o encantamento das crianças. Entre passos tímidos e sorrisos espontâneos, elas exploravam a terra, tocavam os elementos naturais e experimentavam o brincar livre. Não havia roteiro. Havia descoberta.
Ao redor, os adultos acompanhavam cada movimento, alguns arriscaram entrar na brincadeira. Profissionais observavam atentos o impacto daquele ambiente. E, pouco a pouco, o espaço deixava de ser apenas um projeto para se tornar experiência.
O vice-prefeito destacou a força das memórias despertadas pelo ambiente. “Este é um marco para a nossa cidade. Estamos tirando essas crianças e adolescentes do emparedamento, dando a oportunidade de descobrir o mundo lá fora. É também um convite para nós, adultos, resgatarmos tudo isso”, afirmou.
O encantamento
O impacto do pátio não foi sentido apenas pelas crianças. Profissionais da rede também se reconheceram naquele novo espaço — mais acolhedor, mais vivo e mais humano.
Segundo o secretário de Desenvolvimento e Assistência Social, o resultado é fruto de uma construção coletiva. “A forma como as pessoas receberam já mostra que não é mais o mesmo CRAS. É um espaço criado com amor”, afirmou, agradecendo o envolvimento das equipes da assistência social, educação, saúde, meio ambiente e operações urbanas, além dos parceiros do projeto.
Os pátios naturalizados passam a atender tanto os usuários do CRAS — adultos, adolescentes e crianças — quanto os alunos da Escola João de Oliveira. Educadores já observam mudanças no comportamento das crianças a partir do contato com os chamados “brinquedos naturais”, e a escola planeja uma exposição de fotografias para que as famílias acompanhem esses momentos.
A diretora da unidade destacou a reação imediata da comunidade escolar. “O encantamento foi tão grande que pais que ainda não tinham autorizado a participação procuraram a escola depois, querendo que seus filhos também pudessem vivenciar esse espaço”, contou.
No CRAS, o sentimento também foi de transformação. Representando a unidade, a psicóloga e articuladora do Movimento Cinco Básicos em Guarujá, Ivelise de Souza Schalch, resumiu o clima vivido durante a inauguração. “É o espaço do sim. Um espaço conectado com a essência. As famílias estavam mais leves, e o encantamento estava no olhar dos adultos, dos adolescentes e das crianças”, relatou.
Um movimento que cresce
A iniciativa coloca o Município em um movimento mais amplo de transformação urbana voltado à primeira infância. Guarujá já avança na chamada “trilha de pátios e parques naturalizados”, com uma nova área definida para implantação de outro espaço naturalizado, dessa vez uma praça, localizada na Rua Padre Donizete, na Vila Lígia.
Para Júlia Berro, do Coletivo Taboa, o projeto em Morrinhos se destaca pela força da articulação local. “Cada parque é único. Quando pensamos em espaços vivos, antes mesmo de qualquer intervenção, as crianças já nos surpreendem. É muito especial ver uma articulação tão potente como essa, com profissionais tão comprometidos. Dá vontade de continuar esse trabalho”, afirmou.
Entre risos, descobertas e liberdade, o pátio revelou, na prática, o verdadeiro sentido do projeto. E, como resumiu Guilherme Blauth, ao observar as crianças explorando o ambiente. “Quando a gente vê as crianças brincando livremente, a gente entende todo esse propósito.”




Comentários